Diário de Liverpool
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
DIÁRIO DE LIVERPOOL
Eu havia largado oficialmente a música a 10 anos como meio de vida. A escolha de Sofia estava entre permanecer na profissão ou alimentar meu filho. É obvio que um artista no Brasil não pode ter sentimentos burgueses, tem que traçar o caminho, machucar alguns e depois voltar por esse mesmo caminho para curar as feridas que tenha causado (ou não).
Mas o talento é indispensável e eu não o tinha seguramente. Tivesse eu o talento de um Djavan ou Ivan Lins, e eu estaria agora voltando para curar a feridas abertas por mim nos mais próximos.
Talvez esteja sendo dramático demais, mas o fato é que nem mais violão eu tinha em casa, embora nunca deixasse de escutar os Beatles.
Alguns amigos, contemporâneos, fizeram o mesmo e por uma dessas coincidências da vida, tudo começou outra vez por causa de um deles.
Meus sábados eram consumidos entre jornais, TV, revistas, filmes e botequins, entre chopps e tira-gostos, pernas lindas que passavam, piadas políticas e sonhos de consumo.
No dia 25 de abril de 1991 eu estava no Bar do Faustão (nada haver com a Globo) quando vejo passar o Rubinho, que simplesmente havia participado comigo da banda Os Populares obtendo certo sucesso no mercado. Parceiros na música e cúmplices na vida, tínhamos não só a musicalidade em comum, como também termos descoberto os Beatles em nossa juventude (Lembro-me ainda dos ensaios de Golden Slumbers e do trabalho e prazer que ele tinha em marcar o tempo para o Folhinha (nossa baterista).
Enfim, o Rubinho tem ouvido zero, que significa afinar um instrumento sem diapasão, ou ouvir um acorde no rádio e dizer se é quinta aumentada ou qualquer outra dissonante.
No começo você tem inveja dele, depois admiração. Ele poderia mesmo insistir na profissão, mas ele tem regras originais de vida, inclusive é bom ler o manual antes de se relacionar com ele.
Aí eu gritei para ele que estava com a filha:" Ô cara, não fala mais com os pobres não ?"
No dia seguinte foi aniversário do Daniel, meu filho, e ele me pediu um violão de presente e o Rubinho foi lá em casa para dar um abraço nele. Coisa rápida.... chegou as 9h e saiu as 21h.
Resgatamos tudo. Tocamos Beatles o tempo todo com intervalo para o almoço.....os vizinhos adoraram porque tocamos na varanda...foi uma verdadeira catarse.
Passamos então a nos encontrar aos sábados para tocar Beatles e com a nossa mania de perfeccionismo e muita disciplina, atávica ao nosso modo de ser, as coisas foram tomando outro rumo. Começamos a sentir falta de uma marcação acústica, e aí ele trouxe o Vagner, que ele mesmo dispensou. Esta parte é muito engraçada.
Um dia ele disse: " Ô Vagner, você não acharia interessante uma bateria eletrônica pra você tocar ?"
Então Vagner comprou a bateria e o Rubinho descobriu a programação e aí o Vagner ficou sem função e ele comprou a bateria do Vagner.
Começamos então a tocar em condomínios como o nome The Sixties.....eu, o Rubinho e a bateria eletrônica, onde ele programou também o contrabaixo. Não me perguntem como. Aliás ele ficava a madrugada inteira programando enquanto eu traduzia as funções de cada tecla porque ele não sabe Inglês.
Impressionante o talento do Rubinho. Acho que tem muito do Pai, que segundo ouvi falar tinha um QI altíssimo também.
Mantivemos a formação por mais ou menos 2 anos. Antes do Vagner sair ele trouxe um amigo, o Marco Aurélio, que gostava de assistir aos ensaios e afinal acabou participando em virtude da necessidade de uma terceira voz. Um exemplo foi This Boy e outras cujo vocais de fundo pediam 2 vozes para apoiar o solo vocal.
Ficamos assim e nos divertimos bastante durante um bom tempo, até que, resolvemos montar uma banda completa e começamos nossa busca desesperada dos componentes com o perfil desejado. Desnecessário dizer a luta inglória que foi esta tarefa.
Foram idas e vindas de bons músicos, excelentes músicos, mas nenhum tão "louco" quanto nós.
Regra básica: Tocar Beatles aos sábados (ensaios) acima de qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo e isso incluía família, futebol, pescaria, o que fosse. Resultado: não existiam "loucos" como nós.
O Rubinho saiu e entrou na banda diversas vezes. Cabe ressaltar que os motivos sempre eram relativos a idiossincrasias. Somos amigos até hoje e as vezes tocamos juntos.
Numa dessas vezes fiquei só, sem nenhuma banda e com um show marcado. Resultado: Convoquei meus amigos do TÚNEL DO TEMPO e o show rolou beleza, e eu tocando baixo. Foi um sucesso, casa lotada.
Quando acabou o show jurei não passar mais por este sufoco, mas aí veio a idéia, o plano e a ousadia.
Já que eu queria encerrar a questão BEATLES em minha vida, teria que ser em alto estilo.
Que tal encerrar em Liverpool, na Inglaterra ?
Fiquei um tempo sem a banda e pensando no que fazer sobre Liverpool. Sabia que o Túnel já tocava lá a 3 anos e o Sgt.Peppers a 5. Através de um amigo comum consegui o telefone da Cidinha, que vai todo ano ao Festival e conhece todas as
bandas e todos por lá. Almoçamos juntos e ela me passou o caminho das pedras: Ray Johnson.
O Ray é o tipo do cara na CAVERN CO. fundamental. Além do apoio logístico as bandas ele ainda afina as baterias.....(meninos eu vi)......
Então, como bom carioca, fui a luta. Enviei um fax para ele informando que a APPLE BAND gostaria de participar do festival e que éramos amigos do pessoal do Túnel e que já tínhamos as passagens aéreas......Na verdade nem banda eu tinha, quanto mais passagens aéreas....bem, mas o que eu tinha a perder ?
Alguns dias se passaram (na verdade pareceram meses) até que o Ray respondeu que como eu tinha as passagens ia considerar nossa participação, mas eu deveria enviar o release, foto e uma fita ou Cd com o trabalho da Banda.
And so what Joe ? (e agora José ?)
Naquele momento só havia uma alternativa para fazer um bom trabalho: Arregimentar bons músicos que pudessem me dar em 1 mês um set de 45 minutos
pronto e super competente. Se eu tivesse uma banda fixa com pelo menos 1 ano atuando seria mais fácil.
Então recorri aos contemporâneos Pedro Fernandes, o Piri, (guitarrista super competente) Paulinho Ribeiro (baterista) e eles trouxeram o Mauro de Almeida (guitarra solo).
Ensaiamos e gravamos uma fita. Fizemos uma sessão de foto caseiras mesmo e enviei para Liverpool.
Os caras da banda toparam mas não acreditaram muito. Até gozavam a idéia como se eu fosse louco. Quando eu fiz o "speech" para o Ray no começo da fita todos morreram de rir. Mas segurei a onda. Afinal era mais meu sonho do que deles.
Dias depois chegou o "schedule". Quatro gigs assim distribuidas:
Uma no Adelphi Hotel, outra no Cavern Upstairs, mais uma no Abbey Road Pub e uma final no Cavern Club.
A prefeitura oferecia o hotel e ainda precisávamos do translado LONDON/LIVERPOOL/LONDON e ainda grana para despesas com refeições.etc......
Paralelamente fui a luta pelas passagens. O que eu tinha como argumento para o patrocinador era forte. Afinal tinha um fax de Liverpool aceitando a banda para o festival.
Ofereceria ao patrocinador fotos com a logo marca da empresa no palco, fotos da travessia ABBEY ROAD com a camiseta da empresa e tudo o mais que pudesse ser usado na mídia na nossa volta. Enfim, deu pé.....o patrocinador topou.
YES........e lá fomos nós....Agosto de 1997.
A APPLE BAND estava pronta mas ainda faltavam recursos para o translado e refeições. Eu até tinha como me sustentar mas a galera não. Afinal músico deve ganhar dinheiro com a sua profissão e não gastar. Nenhum era tão Beetólogo quanto eu e estavam na maior dureza.
Então surgiu Dr.Chaves que tinha uma agência de viagens na época e numa conversa informal, apresentado a mim pela Celia Regina, uma grande amiga, resolveu patrocinar o que faltava, mas iria conosco para pesquisar o mercado.
O resultado desse investimento foi que hoje ele é o representante do Cavern Club na América do Sul.
Valeu por ele ter me ajudado e a recíproca ter sido a mesma. Embarcamos em alto estilo com direito a sala VIP e tudo mais. Comes e bebes de categoria na sala VIP da companhia aérea que nos transportou. A bordo viajou conosco a banda CLUB BIG BEATLES de Vitória. Legais os caras.
O vôo foi muito agradável e brincamos e conversamos muito e principalmente trocamos opiniões e pontos de vista.
Então alguma horas depois estávamos pousando em LONDON TOWN.
Lá estava nos esperando o Luiz com sua super Van de oito lugares. Luiz trabalhava na época como receptivo para a agência do Dr.Chaves e nos levou a um Bed & Breaksfast cujo proprietário era oriental (devem ter preparado isso para nós como uma referência ao filme HELP ) (>:
Dois quartos somente. Dividimos os quartos entre nós.
Afinal era uma só noite. No dia seguinte tínhamos um compromisso: Abbey Road crossing. Fazia parte da estratégia de marketing para o patrocinador. A travessia com a camiseta da empresa era uma delas. E assim foi após o café da manhã. Colocamos as camisetas com colete por cima. Não estava frio.
Registramos com fotos e VT a travessia. Tiramos uma foto bonita nas escadas do studio da EMI. O Santuário. Esta foto esta na contracapa do nosso primeiro CD demonstrativo. Muita emoção, mas muito mais estava por vir.
Uma correção. Ficamos 2 dias em Londres. No primeiro dia fomos aos pontos de sempre (Buckinham Palace, Hide Park, London Tower, etc..) e no segundo dia sim, fizemos a Abbey Road Crossing com direito a foto na EMI.
Tínhamos o trem para Liverpool marcado para as 14hs. e deixamos as malas já arrumadas nos quartos para voltarmos rapidamente e irmos para a Easton Station (estação ferroviária central).
Foi hilário ver a revolta do Piri quando viu sua mala aberta e as coisas jogadas no chão em um quarto dos empregados. Explico: É que o fundamentalista, dono do B&B, precisou dos quartos e jogou tudo que tínhamos em outro quarto sem nenhum cuidado.
Foi um stress. Piri gritava: "Alí Baba filho da puta".
De qualquer jeito chegamos a tempo na estação e lá fomos naquele famoso trem do filme A HARD DAYS NIGHT. Foi um onda ! Tocamos I should have known better durante a viagem. Emocionante.
No trem, muito confortável, mesmo na classe econômica, havia um vagão lanchonete onde a gente se abasteceu de cerveja e sanduíches durante a viagem. Filmamos e tiramos fotos no trem.
Cinco horas depois chegamos a estação de Liverpool. Lá estava escrito em letras garrafais, e imaginei ser exclusivamente para mim:
"WELLCOME TO LIVERPOOL".
Quem já esteve lá sabe....Liverpool é uma cidade provinciana sim, mas com uma liberalidade surpreendente.
Nos anos 50 foi muito importante como entrada na Europa sendo o porto mais importante, recebendo mercadorias de todo o mundo. John Lennon costumava comprar os compactos simples dos ícones do Rock´n´Roll que os marinheiros traziam dos Estados Unidos em Albert Dock (lá fica o museu dos Beatles). Assim os Beatles tiveram acesso à música Americana e essa foi a formação deles.
Anos mais tarde os Beatles devolveriam à América a sua própria cultura (British invasion).
Os Liverpudianos são surpreendentemente alegres. Muito diferente do Londrino. A influência Irlandesa é fundamental pois são alegres beberrões (como bebem em Liverpool !)
Notei que haviam muitos taxis na cidade e sendo pequena fiquei curioso como poderia ser um bom negócio.
Acontece que a noite os Liverpudianos vão para os pubs e contratam um táxi para leva-los em casa e entrega-los de volta às esposa. Existem filas imensas de taxis nas portas dos pubs. Impressionante. Isso se deve à cultura que é bem diferente
da nossa. Lá, alcool e volante não se misturam mesmo.
Saímos da Lime Station direto para o Adelphi hotel onde a organização do evento entregou-nos os crachás de identificação e as chaves do hotel. Ficamos no Northwest Hotel que vem a ser uma República de estudantes que na época do festival fica disponível para a Cavern Coorp.
Mas não é qualquer coisa não. É um super Apart Hotel. Ficamos com 4 quartos interligados com uma cozinha e um banheiro. Super mesmo.
Nos acomodamos e logo depois eu e o Dr.Chaves fomos ao super mercado local fazer umas compras. Tínhamos que abastecer a cozinha. Felizmente o Paulinho (batera) cozinha muito bem e a cozinha virou área de lazer pra ele devido a tecnologia do fogão. Então ele passou a tocar o fogão e a bateria.
Saímos á noite pois chegamos bem tarde. A cidade é uma graça mesmo. Tomamos a famosa "pit" (copo grande de cerveja). O teor alcoólico é baixo, acho que por isso bebem tanta cerveja. Prá se ligar tem que beber litros. "Chip and fish" é muito gorduroso, mas gordura é fundamental para combater o frio. Fiquei fora dessa.
Voltamos cedo. Afinal no dia seguinte, as 11h da manhã teríamos nossa primeira "gig", no Adelphi Hotel.
Acordamos agulhados e logo após o café da manhã fizemos ensaio vocal na cozinha, com Mauro e Piri nas guitarras desplugadas. Apenas para consolidar o que cada um tinha que fazer.
Nos produzimos e fomos para o Adelphi onde deveríamos entrar após a apresentação de uma banda da Argentina que não consigo recordar o nome. Chegamos 30 minutos mais
cedo, exatamente para saber que som estavam fazendo para nos preparamos melhor.
A surpresa ficou por conta da ausência da banda. O lugar estava super cheio e o Bill Hackle (organizador do evento) neste momento,desesperado, me disse: "Thanks God...you are here".
Tivemos então que entrar antes do horário previsto e ouve uma certa pressão da equipe para que entrássemos logo. Mas não é por aí que a banda toca. Recusamos a pressa porque poderia nos prejudicar e dentro das possibilidades ligamos e testamos os instrumentos.
Enfim iniciamos nosso set com a introdução arranjada pelo Piri que fez muito sucesso em nossas apresentações.
Era um meddley de riffs linkados. Sgt.Peppers/Lady Madona/Hey Bulldog/Day Tripper/Birthday (contagem de 3 e entrando direto em I wanna hold your hand). Tudo foi rolando direitinho até que em Twist and Shout faltou energia no palco e os amplifiadores se foram.
Entrou em cena o jogo de cintura brasileiro e o Paulinho continuou sozinho na batera enquanto eu convocava o público para cantar e assim foi até o final da música. Show de Bola. Ganhamos o público.
Ao final Bill Hackle me disse: "You saved my life"
Muitas pessoas vieram falar conosco e perguntavam onde seriam as próximas apresentações a fim de nos prestigiar, e assim foi.
Tivemos que sair logo em seguida pois 2 horas depois teríamos que estar no Cavern Upstairs para a segunda apresentação da Banda Apple (Apple Band na época).
Fizemos um rápido lanche e partimos para o Cavern na Mathew Street.
O Cavern Quarter é hoje um quarteirão dedicado aos amantes dos Fab Four. Carven Club, Cavern Upstairs, Cavern Pub, Abbey Road Pub e o fomoso Grapes, onde os Beatles tomavam todas antes de se apresentarem porque no Cavern era proibido.
Tem também a Beatles Shop. Uma lojinha adorável onde vc compra de tudo sobre eles. Demais mesmo.
Enfim, chegamos cedo. A rua estava lotada. Subimos ao Cavern Up para passar o som.
Para quem não sabe, o Cavern Club, graças a falta de sensibilidade comercial dos Ingleses foi transformado em estacionamento. Foi preciso um trabalho de pesquisa para resgatar tudo. Hoje os negócios se expandiram, mas na realidade o Cavern Club original permanece
sob a terra.
Outra grande paixão é o futebol. Nas nossas fitas de vídeo existem vários registros dos transeuntes gritando Ronaldo, Pelé, Romário, ao saberem que éramos do Brasil.
O show foi demais, todos cantando conosco. Até valeu o meu speech perguntando se meu sotaque estava legal para eles.
O que mais nos deixou felizes foi quando o MC (Master of Cerimony) falou ao microfone após a última música: "ONE MORE, ONE MORE, APPLE BAND, ONE MORE".
Then, we have passed the audition.
As pessoas passaram a falar com a gente na rua. Fantástico o respeito que sem tem lá pelos músicos e arte de um modo geral.
O dia seguinte estávamos livres de compromissos. Fizemos a MAGICAL MISTERY TOUR. É um tour pelos Beatles points tais como: Penny Lane, Strawberry Filds, as residências de todos eles, inclusive a de Brian Epstein, encerrando-se no Albert Dock, onde esta o museu dos Beatles.
É uma galeria simulando o Cavern Club, onde cada sala (sessão) representa um LP dos Beatles com áudio e vídeo o tempo todo, até a última delas dedicada ao John.
É de arrepiar. Uma sala toda branca com um piano branco e os óculos redondos sobre ele enquanto ouve-se Imagine.
Então o toque Americano foi dado e você sai numa pequena loja Beatle. Hipnotizado, você compra tudo e estoura seu cartão de crédito.
O dia seguinte foi de folga. Relaxamos e batemos pernas pela cidade que é um barato. Fomos ver alguns shows pela manhã, tarde e noite. Pessoalmente as seguintes bandas me impressionaram:
LANE PENNY - Cantam muito e embora a maioria das canções tenham sido "sampleadas" (o repertório era o LP Sgt.Pepers).
1964 - FANTÁSTICO. Você vê um show dos Beatles.Além de tocarem e cantarem muito bem, parecem com os Beatles. Foi impressionante a infra aplicada. Quando o Sgt.Peppers de BH deixou o palco, os "roadies" do 64 subiram ao placo e começarem a desplugar os microfones da bateria, dos amps.etc.......isso me chocou....mas o objetivo era emular o som dos anos 60 em uma apresentação ao vivo. Resultado : BEATLES com som de BEATLES. Detalhes tais como: gravata frouxa do John, speech nervoso do Paul,etc... e o George estava no palco. Impressionante, não era um cover e sim um "clone". No dia seguinte eu cruzei com ele na Matthew Street. Era o próprio.
THE CAVERN
Trio Inglês. O baixista toca e canta impressionantemente bem.
SGT.PEPPERS
Sem exagero, o melhor show de Liverpool. Ficamos orgulhosos (e com uma pontinha de inveja também).
Banda das Minas Gerais. Pessoalmente acho que o batera poderia ser melhor. Mas uma banda tem sempre um valor maior que a soma das partes separadas.
BANDA APPLE (APPLE BAND)
Esta me impressionou muito (:
GARRY GIBSON
Alguns de vocês já devem tê-lo visto por nossas praias. Fisicamente é muito parecido com John. Musicalmente nem tanto.
Perdi bons shows, é claro, não da para ver tudo. No dia seguinte teríamos novas gigs. Dessa vêz no ABBEY ROAD pub e de volta ao santuário do CAVERN CLUB.
Estávamos de volta a Matthew. Desta vez para uma gig no ABBEY ROAD pub.
Um pequeno pub sem muita acústica. O som ficou comprimido mas tocamos num volume suportável. Entramos depois da APPLE SCRUFFS. Boa banda. Tiramos uma foto no balcão depois de tomarmos algumas pits.
Como não tínhamos mais compromissos fomos bater pernas de novo. O clima já não estava muito bom entre nós. Seres humanos são complicados. Se todos gostassem do azul o que seria do amarelo ?
Uns não queriam sair do quarto (por incrível que pareça), outros reclamavam da comida e outros estavam realmente aproveitando e conscientes do momento
que viviam. Filmes e fotos registram esses momentos maravilhosos que vivemos e é claro que os valores vão ficando mais importantes com o passar do tempo.
Afinal eu proporcionei a cada um deles uma viagem internacional e quem sabe a única para alguns.
Voltamos ao Cavern no dia seguinte para a nossa última gig. Lembro-me de um senhor de mais ou menos 60 anos, de casacão, parecia um chefe da gestapo, dançando Can´t buy me love. Nesse momento entendi que o nosso som estava bom mesmo. Nas ruas as pessoas falavam com a gente, perguntavam de onde éramos e onde iríamos tocar. Muito gentis já que haviam muitas bandas boas mas não com nosso "punch" pelo que assisti. Valeu ter levado músicos profissionais, fez a diferença.
Fomos no dia seguinte para o Adelphi Hotel onde estava acontecendo o encerramento do festival. No seu lobby acontecia a Expo Beatles. Eram 3 fileiras de stands onde se encontrava toda a cultura Beatle. Desde camisetas, botons, discos, fitas, tapetes até os instrumentos que usaram durante a carreira. Vendiam também instrumentos não originais (muito caros) de marcas diferentes, clone dos originais, podemos chamar assim.
No dia seguinte tomamos o caminho de volta. Mesmo trem para Londres, mesmo avião para o Brasil. Não sei quanto aos outros, mas eu não sabia o que dizer ou pensar quando pisei no Rio de Janeiro de volta. Entrei no primeiro barzinho e pedi uma "pit". Não fui atendido.
ESCREVA PARA O AUTOR: sepulveda@globo.com
postado por: PEDRO SEPÚLVEDA 2:57 PM